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Especialistas
afirmam que motorista faz do carro uma "extensão" de sua personalidade.
Um carro 1.0 "passeia"
pela pista da esquerda da via expressa a 65 km/h. Atrás, segue uma fileira de impacientes
colegas de volante que tentam rodar a, pelo menos, 90 km/h.
No final dessa fila, um motorista de automóvel esportivo pisca o farol insistentemente,
para que os outros saiam da frente antes que ele "passe por cima". Como ninguém
abre caminho, ele passa pela direita e ainda dá uma "fechadinha" no
"lerdão".
Essa situação é tradicional no trânsito representa o típico comportamento do
motorista tupiniquim. A explicação de psicólogos e engenheiros de tráfego para essa
conduta está na vocação do brasileiro de fazer do veículo uma "extensão" da
própria personalidade.
"A pessoa acha que a potência do carro é a dela. Ela 'veste' o veículo, que se
torna uma extensão do poderio físico ou elemento compensador de alguma
limitação", analisa o presidente da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de
Tráfego), Fábio Racy.
"A prioridade torna-se superar o outro motorista", afirma o psicólogo e
coordenador de cursos de capacitação para médicos examinadores do Detran, Alberto
Francisco Sabbag.
Ao mesmo tempo, aquele que tem um carro menos potente, pode concluir que tem o mesmo
"direito" a andar na esquerda, mesmo abaixo da velocidade permitida.
O sistema viário do país também influencia. A maioria das estradas são estreitas,
sinuosas e de mão dupla, oferecendo poucos pontos para ultrapassagens seguras.
Com isso, os motoristas que não têm paciência para ficar atrás de pesados e lentos
caminhões, acabam fazendo ultrapassagens em condições desfavoráveis.
"Ocorre uma indução ao erro. Se uma determinada situação demora muito, o
brasileiro, impaciente por natureza, fatalmente se torna mais agressivo e começa a
arriscar mais", disse o engenheiro de tráfego Fernando
McDowell.
Essa realidade muda de acordo com as regiões do país. Nas localidades onde a
fiscalização é maior, a impunidade é menor e as condições viárias mais favoráveis.
Em São Paulo, onde há fiscalização eletrônica abundante, os motoristas respeitam mais
as leis que, por exemplo, no Rio de Janeiro, onde os radares e "pardais" são em
menor quantidade.
Fonte: Jornal ValeParaibano |